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[Comparativo] Mégane R26 Vs Impreza WRX!
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[Comparativo] Mégane R26 Vs Impreza WRX!
Tracção é a questão
Renault Mégane R26 contra Subaru Impreza WRX:
Dois desportivos de respeito, cada um com 230 cavalos, mas com duas formas muito diferentes de os colocar no chão.
Mégane R26 e Impreza WRX contam com motores sobrealimentados com 230 CV e ambos assumem-se como máquinas terrivelmente eficazes para devorar curvas, proporcionando emoções difíceis de igualar. Mas as semelhanças entre os nossos dois rivais ficam-se por aqui. As restantes opções mecânicas não podiam ser mais distintas, com quatro cilindros em linha e dois litros no carro francês, contra quatro cilindros opostos e 2,5 litros no japonês. O Renault é mais discreto (as jantes de 18 polegadas, os autocolantes e o spoiler dianteiro fazem a diferença) e tem apenas tracção à frente, apostando agora num autoblocante para limitar as perdas de tracção, enquanto o exuberante Subaru abusa dos apêndices aerodinâmicos, apesar de menos protuberantes do que os da versão STI de 280 cv, mas confia na tracção integral, com três diferenciais e autoblocante no central, para colocar no chão toda a potência disponível, por muito escorregadio que esteja e piso.
Antes de conduzir:
Os dois modelos parecem saídos de épocas completamente diferentes. O Renault é um automóvel moderno, bem construído, com bons materiais e acabamentos perfeitos. Os plásticos no tablier são macios e agradáveis à vista e ao tacto, enquanto os pilares do tejadilho são revestidos a tecido. Face ao rival, o Subaru parece pré-histórico. O plástico é pior, os pilares são forrados com plástico duro, que a marca francesa já nem usa no mais pequeno e barato Clio e chega, mesmo, ao ponto de não aplicar revestimentos interiores da tampa da mala, o que torna o seu manuseamento desagradável, no ruído que provoca e nos cortes que pode causar.
Ritmo de passeio:
Mais comprido cerca de 20 cm, até porque pertence a um segmento superior, sendo concorrente do Laguna e não do Mégane, o Impreza WRX nem por isso assegura um habitáculo mais espaçoso, reivindicando apenas mais mala, com 401 litros, contra 330 do Renault, uma diferença que pode não chegar para convencer os potenciais utilizadores deste tipo de carros que, com certeza, têm outras prioridades. Os bancos desportivos são, em ambos os casos, muito bons visualmente, bem como no apoio que proporcionam ao condutor. A posição de condução - tão importante - é, também, perfeita nos dois modelos.
Montando ambos suspensões duras, o Renault filtra melhor as irregularidades do piso e até mesmo o ruído de rolamento. O Subaru é mais desconfortável por ser mais “seco” e dá demasiado nas vistas quando circulamos na cidade. Bem mais divertido é andar com um destes Impreza na auto-estrada, pois ao ser relativamente similar aos utilizados pela Brigada de Trânsito da GNR, leva a que os condutores pensem duas vezes antes de o ultrapassar, sobretudo quando se roda próximo do limite de velocidade.
Condução desportiva:
Mas o Impreza WRX e o Mégane R26 foram concebidos para andar depressa e a sua eficácia é determinante. O WRX tem um motor de 2,5 litros, contra 2.0 litros do Renault, mas não há grande diferença nem na potência, pois ambos fornecem 230 CV, nem no binário entregue, pois se o carro japonês anuncia 320 Nm, o francês reivindica 310 Nm, mas a um regime mais favorável (3000 contra 3600 rpm). Com o mesmo peso (1410 contra 1460 kg do Renault) e uma aerodinâmica ligeiramente mais apurada, o R26 bate-se praticamente taco-a-taco nas acelerações. As quatro rodas motrizes favorecem o Subaru no arranque, que ganha seis décimos nos de 0 a 100 km/h (com 6,2 contra 6,8 segundos), mas nos 1000 metros já só usufrui de uma vantagem de dois décimos (com 26,9 contra 27,1 seg.). E, se continuar a acelerar, o Renault acaba por atingir uma velocidade máxima de 237 km/h, enquanto o Subaru pára nos 230 e já a revelar bastantes ruídos de aerodinâmica.
Nas reprises os dois rivais fazem jogo igual, o que é notável pois o Subaru tem mais 25% de cilindrada, mas a melhor gestão electrónica do carro francês permite que consuma bastante menos, com valores médios de 8,5 litros, menos dois litros do que o rival nipónico. No entanto, se o ritmo de condução aumentar, o Subaru supera os 25 litros em condução desportiva, enquanto o Renault fica-se pelos 20 nas mesmas condições.
Em asfalto seco, o Impreza é uma máquina difícil de igualar. É rápido e não surpreende o condutor, que não tem de possuir grandes dotes de condução para se divertir, sem sustos. Os travões não nos convenceram, pois começam por travar bem, mas com as solicitações prolongadas perdem eficácia, ao mesmo tempo que emanam um ruído que indica estarem a ultrapassar a temperatura ideal de funcionamento. Mas entra nas curvas com facilidade, com o condutor a poder optar por uma atitude mais à bruta, ou mais suave, sem que daí surjam grandes consequências.
Dois contra quatro no limite:
No limite, o Impreza tenta fugir de frente, mas é fácil de controlar com um golpe de volante, ou jogando com uma travagem mais tardia. Depois de entrar na curva, o WRX aceita que continuemos a acelerar, graças ao facto de dividir os 230 CV pelas quatro rodas, o que torna o trabalho dos pneus uma tarefa pacífica. Sob aceleração, o Subaru descreve a curva com uma agilidade notável, que é ainda mais evidente em pisos escorregadios.
O Mégane R26 revela uma evolução notável face ao RS. Os cinco cavalos adicionais não se notam, apesar de permitem mais um km/h de velocidade máxima e “poupar” um décimo de segundo nos 1000 metros de arranque. Curiosamente, são também responsáveis por uma redução de 0,3 l/100 km no consumo. Mas a travagem no Renault é mais eficaz, denotando uma maior resistência à fadiga. Com apenas duas rodas motrizes, mas agora com autoblocante, o R26 mostra uma eficiência impressionante. Entra bem na trajectória, mesmo melhor do que o WRX, arrastando menos a frente e “mordendo” melhor o interior da curva. A aplicação da potência não revela grandes problemas e o R26 não tende a alargar excessivamente a trajectória, mesmo com as ajudas electrónicas desligadas. É ligeiramente mais exigente que o WRX, sob o ponto de vista de condução, mas bate-se surpreendentemente bem em asfalto seco com o Subaru. Quanto mais escorregadia estiver a estrada, pior para o carro gaulês. Digamos que se o c onfronto for um troço de rali sinuoso e escorregadio, o Subaru ganha de forma clara. Em piso seco o Mégane garante uma diferença mínima e, numa pista como a do Autódromo do Estoril, o R26 sai claramente vencedor.
Texto:Alfredo Lavrador
Fotografia:Adelino Gonçalves
Metrologia:Miguel Gomes
Comparativo publicado na Revista Turbo de Maio de 2007.
Fonte: TurboOnline
Renault Mégane R26 contra Subaru Impreza WRX:
Dois desportivos de respeito, cada um com 230 cavalos, mas com duas formas muito diferentes de os colocar no chão.
Mégane R26 e Impreza WRX contam com motores sobrealimentados com 230 CV e ambos assumem-se como máquinas terrivelmente eficazes para devorar curvas, proporcionando emoções difíceis de igualar. Mas as semelhanças entre os nossos dois rivais ficam-se por aqui. As restantes opções mecânicas não podiam ser mais distintas, com quatro cilindros em linha e dois litros no carro francês, contra quatro cilindros opostos e 2,5 litros no japonês. O Renault é mais discreto (as jantes de 18 polegadas, os autocolantes e o spoiler dianteiro fazem a diferença) e tem apenas tracção à frente, apostando agora num autoblocante para limitar as perdas de tracção, enquanto o exuberante Subaru abusa dos apêndices aerodinâmicos, apesar de menos protuberantes do que os da versão STI de 280 cv, mas confia na tracção integral, com três diferenciais e autoblocante no central, para colocar no chão toda a potência disponível, por muito escorregadio que esteja e piso.
Antes de conduzir:
Os dois modelos parecem saídos de épocas completamente diferentes. O Renault é um automóvel moderno, bem construído, com bons materiais e acabamentos perfeitos. Os plásticos no tablier são macios e agradáveis à vista e ao tacto, enquanto os pilares do tejadilho são revestidos a tecido. Face ao rival, o Subaru parece pré-histórico. O plástico é pior, os pilares são forrados com plástico duro, que a marca francesa já nem usa no mais pequeno e barato Clio e chega, mesmo, ao ponto de não aplicar revestimentos interiores da tampa da mala, o que torna o seu manuseamento desagradável, no ruído que provoca e nos cortes que pode causar.
Ritmo de passeio:
Mais comprido cerca de 20 cm, até porque pertence a um segmento superior, sendo concorrente do Laguna e não do Mégane, o Impreza WRX nem por isso assegura um habitáculo mais espaçoso, reivindicando apenas mais mala, com 401 litros, contra 330 do Renault, uma diferença que pode não chegar para convencer os potenciais utilizadores deste tipo de carros que, com certeza, têm outras prioridades. Os bancos desportivos são, em ambos os casos, muito bons visualmente, bem como no apoio que proporcionam ao condutor. A posição de condução - tão importante - é, também, perfeita nos dois modelos.
Montando ambos suspensões duras, o Renault filtra melhor as irregularidades do piso e até mesmo o ruído de rolamento. O Subaru é mais desconfortável por ser mais “seco” e dá demasiado nas vistas quando circulamos na cidade. Bem mais divertido é andar com um destes Impreza na auto-estrada, pois ao ser relativamente similar aos utilizados pela Brigada de Trânsito da GNR, leva a que os condutores pensem duas vezes antes de o ultrapassar, sobretudo quando se roda próximo do limite de velocidade.
Condução desportiva:
Mas o Impreza WRX e o Mégane R26 foram concebidos para andar depressa e a sua eficácia é determinante. O WRX tem um motor de 2,5 litros, contra 2.0 litros do Renault, mas não há grande diferença nem na potência, pois ambos fornecem 230 CV, nem no binário entregue, pois se o carro japonês anuncia 320 Nm, o francês reivindica 310 Nm, mas a um regime mais favorável (3000 contra 3600 rpm). Com o mesmo peso (1410 contra 1460 kg do Renault) e uma aerodinâmica ligeiramente mais apurada, o R26 bate-se praticamente taco-a-taco nas acelerações. As quatro rodas motrizes favorecem o Subaru no arranque, que ganha seis décimos nos de 0 a 100 km/h (com 6,2 contra 6,8 segundos), mas nos 1000 metros já só usufrui de uma vantagem de dois décimos (com 26,9 contra 27,1 seg.). E, se continuar a acelerar, o Renault acaba por atingir uma velocidade máxima de 237 km/h, enquanto o Subaru pára nos 230 e já a revelar bastantes ruídos de aerodinâmica.
Nas reprises os dois rivais fazem jogo igual, o que é notável pois o Subaru tem mais 25% de cilindrada, mas a melhor gestão electrónica do carro francês permite que consuma bastante menos, com valores médios de 8,5 litros, menos dois litros do que o rival nipónico. No entanto, se o ritmo de condução aumentar, o Subaru supera os 25 litros em condução desportiva, enquanto o Renault fica-se pelos 20 nas mesmas condições.
Em asfalto seco, o Impreza é uma máquina difícil de igualar. É rápido e não surpreende o condutor, que não tem de possuir grandes dotes de condução para se divertir, sem sustos. Os travões não nos convenceram, pois começam por travar bem, mas com as solicitações prolongadas perdem eficácia, ao mesmo tempo que emanam um ruído que indica estarem a ultrapassar a temperatura ideal de funcionamento. Mas entra nas curvas com facilidade, com o condutor a poder optar por uma atitude mais à bruta, ou mais suave, sem que daí surjam grandes consequências.
Dois contra quatro no limite:
No limite, o Impreza tenta fugir de frente, mas é fácil de controlar com um golpe de volante, ou jogando com uma travagem mais tardia. Depois de entrar na curva, o WRX aceita que continuemos a acelerar, graças ao facto de dividir os 230 CV pelas quatro rodas, o que torna o trabalho dos pneus uma tarefa pacífica. Sob aceleração, o Subaru descreve a curva com uma agilidade notável, que é ainda mais evidente em pisos escorregadios.
O Mégane R26 revela uma evolução notável face ao RS. Os cinco cavalos adicionais não se notam, apesar de permitem mais um km/h de velocidade máxima e “poupar” um décimo de segundo nos 1000 metros de arranque. Curiosamente, são também responsáveis por uma redução de 0,3 l/100 km no consumo. Mas a travagem no Renault é mais eficaz, denotando uma maior resistência à fadiga. Com apenas duas rodas motrizes, mas agora com autoblocante, o R26 mostra uma eficiência impressionante. Entra bem na trajectória, mesmo melhor do que o WRX, arrastando menos a frente e “mordendo” melhor o interior da curva. A aplicação da potência não revela grandes problemas e o R26 não tende a alargar excessivamente a trajectória, mesmo com as ajudas electrónicas desligadas. É ligeiramente mais exigente que o WRX, sob o ponto de vista de condução, mas bate-se surpreendentemente bem em asfalto seco com o Subaru. Quanto mais escorregadia estiver a estrada, pior para o carro gaulês. Digamos que se o c onfronto for um troço de rali sinuoso e escorregadio, o Subaru ganha de forma clara. Em piso seco o Mégane garante uma diferença mínima e, numa pista como a do Autódromo do Estoril, o R26 sai claramente vencedor.
Texto:Alfredo Lavrador
Fotografia:Adelino Gonçalves
Metrologia:Miguel Gomes
Comparativo publicado na Revista Turbo de Maio de 2007.
Fonte: TurboOnline
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